Entidade denuncia violência de Estado, criminalização da luta popular e reafirma a defesa da educação pública, da democracia e das liberdades democráticas. Mesmo após a liberação de Fabrício Rosa e Leandro de Almeida Costa, o Sint-IFESGO considera o episódio grave e afirma que a repressão a lideranças populares, em ano eleitoral, expressa a permanência do autoritarismo e do coronelismo político em Goiás.
O Sint-IFESGO divulgou nota pública de repúdio à prisão arbitrária do vereador Fabrício Rosa e do militante Leandro de Almeida Costa, da coordenação do MST, ocorrida em 17 de abril de 2026, em Goiás, durante ato em memória dos 30 anos de Eldorado dos Carajás.
Para a entidade, mesmo com a posterior liberação de ambos, o episódio permanece grave e revela uma prática de intimidação política, repressão à organização popular e criminalização dos movimentos sociais.
Repressão em ano eleitoral
Na avaliação do sindicato, o caso não pode ser tratado como fato isolado. Em ano eleitoral, a repressão contra lideranças populares e movimentos organizados ganha dimensão ainda mais preocupante, ao dialogar com uma tradição autoritária que insiste em tratar a luta social como caso de polícia.
O Sint-IFESGO aponta que a prisão de Fabrício Rosa e Leandro de Almeida Costa expressa a permanência de práticas autoritárias em Goiás e a atualização do coronelismo político no estado, por meio da intimidação, do constrangimento e do uso do aparato policial como ferramenta de contenção da organização popular.
> “A repressão contra lideranças populares e movimentos sociais não pode ser naturalizada.”
Eldorado dos Carajás e a permanência da violência
O episódio ocorreu em 17 de abril, data que marca os 30 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, símbolo da violência estatal contra trabalhadores e trabalhadoras rurais em luta pela reforma agrária.
Ao relacionar os dois fatos, o sindicato afirma que seguem presentes no país a concentração fundiária, a violência no campo e a perseguição a movimentos sociais que denunciam desigualdades estruturais. Nesse contexto, a repressão a um ato de memória e denúncia aparece como mais um sinal da permanência de uma lógica autoritária no tratamento da questão agrária.
Educação pública, TAEs e democracia
Na nota, o Sint-IFESGO reafirma que a defesa da educação pública está diretamente ligada à defesa das liberdades democráticas, dos direitos sociais e da livre organização popular.
O texto destaca o papel do ensino, da pesquisa e da extensão na formação crítica da sociedade, na produção de conhecimento comprometido com o interesse público e na construção de uma cultura política baseada em participação, justiça social e democracia.
Outro ponto enfatizado é a atuação das técnicas e dos técnicos administrativos em educação (TAEs) nas instituições federais de ensino. Segundo o sindicato, esses trabalhadores e trabalhadoras são fundamentais para o funcionamento cotidiano das instituições e para a efetivação do ensino, da pesquisa e da extensão, fortalecendo o caráter público, inclusivo e socialmente comprometido da educação brasileira.
> “De um lado, a educação pública forma sujeitos críticos, amplia direitos e fortalece a participação social. De outro, a violência estatal busca impor medo, silêncio e obediência.”
Leia a íntegra da nota.
NOTA DE REPÚDIO | SINT-IFESGO
A Diretoria do Sint-IFESGO manifesta repúdio à prisão arbitrária do vereador Fabrício Rosa e do militante Leandro de Almeida Costa, da coordenação do MST, ocorrida em 17 de abril de 2026, em Goiás, durante ato em memória de Eldorado dos Carajás.
Ainda que ambos tenham sido posteriormente liberados, o episódio permanece grave e inaceitável. Trata-se de uma ação marcada pelo abuso, pela intimidação e pela tentativa de criminalizar a organização popular e a livre manifestação política.
Em ano eleitoral, fatos dessa natureza exigem atenção redobrada da sociedade e das entidades representativas da classe trabalhadora. A repressão contra lideranças populares e movimentos sociais não pode ser naturalizada. Em Goiás, ela dialoga com a permanência de práticas autoritárias e com a atualização de um coronelismo político que insiste em tratar o conflito social como caso de polícia e o povo organizado como ameaça.
O ocorrido adquire peso ainda maior por ter se dado no marco dos 30 anos de Eldorado dos Carajás, data que remete a uma das mais violentas expressões da repressão estatal contra trabalhadores e trabalhadoras em luta pela terra. Três décadas depois, seguem presentes no país a concentração fundiária, a violência no campo e a criminalização de quem se organiza para enfrentar as desigualdades estruturais.
O Sint-IFESGO reafirma que a defesa da educação pública está diretamente ligada à defesa das liberdades democráticas e dos direitos sociais. O ensino, a pesquisa e a extensão cumprem papel fundamental na formação crítica, na produção de conhecimento comprometido com o interesse público e na construção de uma sociedade democrática, plural e socialmente referenciada.
Nesse projeto, a atuação das técnicas e dos técnicos administrativos em educação (TAEs) é indispensável. São trabalhadoras e trabalhadores que garantem, no cotidiano das instituições federais de ensino, as condições para o funcionamento da vida acadêmica e administrativa, contribuindo de forma efetiva para a realização do ensino, da pesquisa e da extensão. Sua presença fortalece o caráter público, inclusivo e socialmente comprometido da educação.
Essa concepção de educação contrasta frontalmente com a pedagogia autoritária praticada pelo Estado de Goiás quando transforma a força policial em instrumento de intimidação política. De um lado, a educação pública forma sujeitos críticos, amplia direitos e fortalece a participação social. De outro, a violência estatal busca impor medo, silêncio e obediência.
Por essas razões, o Sint-IFESGO manifesta solidariedade a Fabrício Rosa, a Leandro de Almeida Costa, ao MST e a todas as organizações populares que seguem atuando em defesa da democracia, dos direitos humanos, da reforma agrária e da justiça social.
O sindicato reafirma sua defesa do direito de manifestação, da livre organização popular, da educação pública e de uma sociedade fundada em direitos, participação democrática e compromisso com o povo trabalhador.
Diretoria do Sint-IFESGO
Goiânia, 17 de abril de 2026.






