O governo Caiado aprova, em 1ª votação, um projeto que empurra a conta do Ipasgo para as famílias trabalhadoras. A cobrança de 30% para cada dependente é vista por entidades como um ataque direto ao orçamento dos servidores e uma ameaça ao próprio plano. Presente no plenário da Alego, João Pires Junior, coordenador de Comunicação e Imprensa do Sint-IFESGO e coordenador geral do Fórum Goiano em Defesa dos Direitos, da Democracia e da Soberania, acompanhou a votação e participou do processo de pressão com varias entidades sindicais. No mesmo dia, Assembleia Geral da categoria discute o fim do convênio entre Ipasgo e UFG, que pode deixar cerca de 3 mil pessoas sem qualquer cobertura de saúde.
Reunidos em sessão extraordinária nesta quarta-feira, 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, os deputados estaduais aprovaram, em primeira votação, por 25 votos a 7, o projeto de lei nº 30892/25, de autoria do Poder Executivo. A proposta extingue a isenção e autoriza a cobrança de mensalidade para dependentes de beneficiários do Ipasgo Saúde, no valor de 30% da tabela atuarial para cada dependente. Na prática, significa punir quem tem família: quanto mais dependentes, maior o confisco sobre o salário do servidor.
O projeto aprovado em 1º turno altera a Lei nº 21.880/23, que instituiu o Ipasgo Saúde como Serviço Social Autônomo. Pelas novas regras, dependentes hoje isentos passarão a pagar 30% dos valores da tabela atuarial, conforme faixa etária. Os valores vão de R$ 47,45 a R$ 54,31 (planos básico e especial nas faixas iniciais) e chegam a R$ 207,33 e R$ 322,55 para dependentes com mais de 59 anos. A soma das contribuições dos dependentes não poderá ultrapassar o valor pago pelo titular, mas isso não muda o fato central: famílias inteiras serão esmagadas por mais uma conta mensal, sob risco real de terem que abandonar o plano.
A Secretaria de Economia tenta vender o pacote de crueldade como “equilíbrio técnico” e “justiça contributiva”, alegando que a cobrança “reduz o déficit” e “corrige distorções históricas de custeio”. Na prática, o governo assume que não quer bancar a responsabilidade do Estado sobre a saúde dos servidores e empurra a conta para quem ganha menos, jogando sobre o orçamento de servidores ativos, aposentados e pensionistas um custo que muitos simplesmente não poderão pagar.
É o Governo Caiado aprofundando as políticas neoliberais com ajustes fiscais que retiram benefícios sociais e aumenta impostos. Para o governador, o problema seria uma “assimetria” entre quem tem poucos ou muitos dependentes, já que todos pagam o mesmo valor hoje. Para as entidades, essa narrativa esconde o essencial: em vez de fortalecer a política pública de saúde dos servidores, o projeto transforma o direito em mercadoria, punindo justamente quem mais precisa de proteção, como famílias maiores, pessoas idosas e crianças. A “solução” apresentada é simples e brutal: quem não puder pagar, sai do plano.
Oposição e entidades de servidores têm chamado a proposta pelo que ela é: um ataque frontal ao direito à saúde. Parlamentares como Antônio Gomide, Bia de Lima, Mauro Rubem, Clécio Alves e Gugu Nader alertam que a nova cobrança pode expulsar milhares de famílias do Ipasgo, reduzir a base de contribuintes e, no limite, fragilizar o próprio plano. Somada à perda de poder de compra, à inflação e a outros reajustes, cobrar 30% por cada dependente é, na prática, empurrar servidores para a fila do SUS ou para planos privados.
Nesse cenário, a presença de João Pires Junior no plenário da Alego, em nome do Sint-IFESGO e do Fórum Goiano, escancara que a disputa não é só contábil, é de projeto de sociedade. De um lado, um governo que trata a saúde como variável de planilha; de outro, servidores e movimentos sociais afirmando que saúde é direito humano e não pode ser transformada em luxo de poucos. O Fórum Goiano segue articulando entidades de diversas categorias para pressionar o Parlamento a retirar esse ataque do caminho dos trabalhadores.
SE VOCÊ É SERVIDOR(A), APOSENTADO(A), USUÁRIO(A) DO IPASGO, ESTE É O MOMENTO DE REAGIR:
– Acompanhe a tramitação do PL 30892/25 e cobre dos(as) deputados(as) voto contra a cobrança de 30% por dependente.
– Some-se às mobilizações do Sint-IFESGO e do Fórum Goiano em Defesa dos Direitos, da Democracia e da Soberania; participe de atos, visitas a gabinetes e assembleias.
– Defenda o convênio Ipasgo–UFG, para que nenhuma das cerca de 3 mil pessoas que dependem dessa cobertura fique sem assistência.
– Compartilhe essas informações com colegas, grupos de WhatsApp e redes sociais. Silêncio e desinformação só favorecem quem quer empurrar esse ataque adiante.
Direito à saúde não é privilégio, é direito humano. E direito humano não se corta, se defende.
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