Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio é lançado com apoio dos três Poderes da República. Sindicato reafirma seu compromisso com a vida das mulheres e a transformação das estruturas que sustentam a violência de gênero. Brasil registrou 718 feminicídios no primeiro semestre de 2025 — quatro mulheres mortas por dia, a maioria negras. Documento lançado pelo governo propõe resposta coordenada, e SINT-IFESgo chama a categoria à mobilização.
Ontem, quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, o governo federal lançou o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, articulando Executivo, Legislativo e Judiciário em uma resposta inédita à violência de gênero. O SINT-IFESGO, em conjunto com a CTB Goiás e o Fórum Goiano em Defesa dos Direitos, da Democracia e da Soberania, apoia a iniciativa e reforça o papel estratégico da luta sindical na defesa da vida das mulheres.
Feminicídio: um crime que não para de crescer
O feminicídio é o assassinato de mulheres motivado por razões de gênero — muitas vezes cometido por parceiros ou ex-parceiros. Ele representa a face mais extrema de um ciclo contínuo de violências: psicológica, física, sexual, patrimonial e moral.
Segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero (1º semestre de 2025), o Brasil registrou 718 feminicídios em apenas seis meses — média de quatro mulheres assassinadas por dia.
Desse total, 63,6% eram mulheres negras, o que demonstra como o racismo institucional se soma ao machismo estrutural para produzir uma realidade ainda mais letal.
O que propõe o Pacto Nacional?
O Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio é um marco histórico: pela primeira vez, os três Poderes da República atuam juntos para enfrentar a violência de gênero com ações articuladas, metas, orçamento e monitoramento público.
Entre os eixos do pacto estão:
- Efetivação e fiscalização de medidas protetivas;
- Fortalecimento do Ligue 180 e da Casa da Mulher Brasileira;
- Criação das Salas Lilás e ampliação das Patrulhas Maria da Penha;
- Formação de lideranças comunitárias com o projeto “Defensoras Populares”;
- Mudança na cultura institucional dos serviços públicos com perspectiva de gênero e raça.
O objetivo é construir uma política estruturada, permanente e interseccional, que reconheça as especificidades das mulheres negras, indígenas, trans, quilombolas, periféricas e com deficiência.
O papel da categoria TAE e da luta sindical
Mulheres trabalhadoras técnico-administrativas em educação (TAEs) também enfrentam situações de violência no cotidiano: dentro de casa, nos transportes, nos espaços de trabalho e até nas instituições públicas. Essas violências nem sempre são físicas — elas incluem o assédio, a invisibilidade, a sobrecarga e o silenciamento institucional.
Por isso, o SINT-IFESGO assume como parte de sua missão sindical:
- Promover espaços de acolhimento e escuta ativa;
- Combater práticas machistas nas instituições;
- Lutar por políticas de equidade de gênero no serviço público federal;
- Mobilizar a categoria para denunciar, proteger e transformar.
Nossa luta por democracia, justiça e soberania só será plena se as mulheres puderem viver sem medo.
A luta contra o feminicídio não é só das mulheres: é de toda a sociedade. Homens, sindicatos, servidores públicos, gestores, estudantes, famílias — todos e todas precisamos agir para mudar essa realidade. Não podemos mais tolerar a banalização da violência.
O SINT-IFESGO, junto à CTB Goiás e ao Fórum Goiano, convoca a base da categoria TAE, movimentos sociais e instituições públicas a assumirem esse pacto pela vida, pela dignidade e pelo direito de existir em segurança.
Quer saber mais?
Leia na íntegra o documento oficial do Pacto Nacional, com orientações, dados e diretrizes para ação, que está anexo a esta matéria.
Compartilhe essa notícia. Denuncie casos de violência: Ligue 180 — atendimento gratuito, sigiloso e 24h.
Nenhuma a menos. A vida das mulheres importa.









