Proposta entra em semana decisiva no Congresso; sindicato chama trabalhadoras e trabalhadores da educação federal a cobrarem parlamentares goianos.
O Sint-IFESGO convoca a categoria Técnico-Administrativa em Educação para acompanhar e participar da mobilização pelo fim da escala 6×1. A proposta entra em uma semana decisiva no Congresso Nacional, com negociações sobre o texto final e expectativa de votação na Câmara dos Deputados.
A escala 6×1 estabelece uma rotina de seis dias de trabalho para apenas um dia de descanso. Na prática, esse modelo retira tempo de convivência familiar, lazer, estudo, participação social, descanso e cuidados com a saúde física e mental. Para milhões de trabalhadoras e trabalhadores, a vida fica espremida entre jornada, transporte, cansaço e tarefas domésticas.
Para o Sint-IFESGO, o fim da escala 6×1 é uma pauta de toda a classe trabalhadora. Embora a categoria TAE tenha especificidades no serviço público federal, a luta pela redução da jornada sem redução salarial dialoga diretamente com a defesa de condições dignas de trabalho, saúde, qualidade de vida e valorização de quem sustenta o funcionamento das instituições públicas.
O que está em disputa
A discussão em torno da redução da jornada ganhou força com propostas que tratam do fim da escala 6×1 e da ampliação do tempo de descanso semanal. Segundo a Agência Câmara, houve acordo em torno da redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso, sem redução salarial e com fortalecimento das convenções coletivas.
No entanto, seguem em debate pontos considerados sensíveis, como regras de transição, particularidades por setor, texto final e forma de tramitação. Também foram apresentadas emendas que buscam manter 44 horas semanais para atividades consideradas essenciais e estabelecer prazo de até 10 anos para entrada em vigor da redução da jornada.
O Sint-IFESGO alerta que a mobilização social é fundamental para impedir que a proposta seja esvaziada por manobras que retirem direitos, criem brechas para flexibilização da jornada ou condicionem avanços a compensações prejudiciais à classe trabalhadora.
Placar em Goiás
O material divulgado pelo Sint-IFESGO elaborado em parceria com o Fórum Goiano em Defesa dos Direitos, da Democracia e da Soberania, CTB Goiás e outras centrais sindicais e frentes políticas, apresenta o posicionamento de parlamentares goianos em formato de “placar”, inspirado no futebol e na mobilização popular. A ideia é mostrar, de forma direta e acessível, quem joga a favor da família trabalhadora, quem está omisso e quem se posiciona contra o fim da escala 6×1.
No campo dos parlamentares favoráveis ao fim da escala 6×1 aparecem:
- Adriana Accorsi — PT-GO;
- Flávia Morais — PDT-GO;
- Rubens Otoni — PT-GO.
Entre os parlamentares classificados como omissos ou ainda sem apoio declarado no material aparecem:
- Lêda Borges — Republicanos-GO;
- Jeferson Rodrigues — PSDB-GO.
Já no campo dos parlamentares contrários ao fim da escala 6×1, o material apresenta:
- Adriano do Baldy — PP-GO;
- Célio Silveira — MDB-GO;
- Daniel Agrobom — PSD-GO;
- Glaustin da Fokus — Podemos-GO;
- Gustavo Gayer — PL-GO;
- Ismael Alexandrino — PSD-GO;
- José Nelto — União Brasil-GO;
- Magda Mofatto — PL-GO;
- Marussa Boldrin — Republicanos-GO;
- Professor Alcides — PL-GO;
- Silvye Alves — União Brasil-GO;
- Zacharias Calil — MDB-GO.
O objetivo da campanha é informar a categoria e a sociedade sobre o posicionamento dos representantes de Goiás, estimulando a cobrança direta aos parlamentares.
Pressão popular já fez deputados recuarem
A mobilização da sociedade tem surtido efeito. Após a repercussão negativa nas redes sociais e entre trabalhadores, três deputados federais de Goiás que haviam sido associados à emenda que poderia adiar o fim da escala 6×1 retiraram suas assinaturas: Daniel Agrobom — PSD-GO, José Nelto — União Brasil-GO e Zacharias Calil — MDB-GO. A informação foi publicada pelo Jornal Opção, que apontou o recuo dos parlamentares depois das críticas públicas à proposta.
A emenda criticada previa pontos considerados prejudiciais à classe trabalhadora, como transição de dez anos para mudança na jornada e possibilidade de ampliar a carga horária semanal para até 52 horas. Segundo a Agência Câmara, também foram apresentadas propostas para manter 44 horas semanais em atividades consideradas essenciais e estabelecer prazo de dez anos para a redução da jornada entrar em vigor.
Para o Sint-IFESGO, o recuo mostra que a pressão organizada da classe trabalhadora faz diferença. Quando trabalhadores, sindicatos, entidades e movimentos sociais cobram posicionamento público, o placar muda. Por isso, a categoria TAE deve seguir mobilizada, acompanhando a tramitação, compartilhando informações e cobrando os parlamentares de Goiás.
A luta ainda não acabou. Quem retirou assinatura precisa seguir sendo acompanhado, e quem ainda joga contra o fim da escala 6×1 precisa sentir a cobrança da sociedade.
Jornada, saúde e vida
Para o Sint-IFESGO, a redução da jornada sem redução salarial deve ser tratada como uma pauta de saúde pública, dignidade e justiça social. Jornadas extensas impactam diretamente a saúde mental, a saúde física, a qualidade de vida e a organização das famílias brasileiras.
Menos tempo de descanso significa mais cansaço, mais estresse, maior risco de adoecimento e menos possibilidade de convivência familiar. Também significa menos tempo para formação, cultura, lazer, autocuidado e participação política.
A entidade destaca que trabalhadoras e trabalhadores não podem ser tratados apenas como força produtiva. A vida não pode ficar no banco de reservas.
Mobilização da categoria TAE
O Sint-IFESGO orienta a categoria Técnico-Administrativa em Educação a acompanhar a tramitação, compartilhar informações confiáveis e cobrar posicionamento dos parlamentares. A mobilização pode ser feita por meio de mensagens, redes sociais, telefonemas, marcações públicas e diálogo com colegas, familiares e amigos.
A luta pelo fim da escala 6×1 é parte da defesa de uma sociedade em que o trabalho não consuma todo o tempo de vida. Para o sindicato, a categoria TAE tem papel importante nesse processo, por sua tradição de organização coletiva, defesa dos direitos sociais e compromisso com a educação pública.
A vida não pode ficar no banco de reservas. A hora de virar o jogo é agora. O apito final quem dá é o povo.
A categoria também pode acompanhar e fortalecer a mobilização nacional pelo site do Movimento VAT — Vida Além do Trabalho [https://www.vidaalemdotrabalho.com.br/], uma das principais articulações populares pelo fim da escala 6×1, e pela plataforma Na Pressão [https://napressao.org.br/campanha/pela-aprovacao-do-fim-da-escala-6×1-e-da-reducao-da-jornada-de-trabalho-sem-reducao-salarial], ferramenta que permite enviar mensagens aos parlamentares cobrando apoio à proposta. Pressione!
O Sint-IFESGO reafirma sua posição em defesa do fim da escala 6×1, da redução da jornada sem redução salarial e de mais tempo para viver, descansar, estudar, cuidar da saúde e conviver com a família.
Referências
Agência Câmara de Notícias. Fim da escala 6×1: emendas buscam manter 44 horas de jornada para atividades essenciais. Publicado em 15 maio 2026.
Agência Câmara de Notícias. Fim da escala 6×1: acordo prevê jornada de 40 horas semanais e dois dias de descanso. Publicado em 13 maio 2026.
Jornal Opção. Após repercussão negativa, deputados goianos recuam sobre proposta que pode adiar fim da escala 6×1. Publicado em 24 maio 2026.
Jornal Opção. Deputados goianos ainda mantêm apoio a adiamento do fim da escala 6×1 até 2036. Publicado em 24 maio 2026.
Movimento VAT — Vida Além do Trabalho. Movimento popular pelo fim da escala 6×1 e por mais vida além do trabalho.
Na Pressão. Ferramenta de mobilização para envio de mensagens a parlamentares sobre o fim da escala 6×1. O Sindicato dos Bancários de São Paulo informa que a plataforma está sendo usada na reta final de tramitação da PEC 221/2019





