Neste Dia Mundial da Saúde, o Sint-IFESGO reafirma a importância dos Técnicos-Administrativos em Educação que atuam na área da saúde e contribuem, de forma decisiva, para o funcionamento das instituições públicas, para a produção de conhecimento e para a garantia do direito à saúde no Brasil.
Em 2026, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) propõem como tema da data a mobilização em torno da ciência, sob o lema “Juntos pela ciência”. A campanha destaca o valor da colaboração científica para proteger a saúde das pessoas, dos animais, das plantas e do planeta, além de defender políticas públicas orientadas por evidências e pela abordagem de Uma Só Saúde.
Esse chamado dialoga diretamente com a realidade das instituições federais de ensino e com o papel dos trabalhadores e trabalhadoras da educação. Muito do que o Brasil produz em termos de ciência, pesquisa aplicada, formação profissional e desenvolvimento tecnológico nasce dentro das universidades públicas. É nesses espaços que se formam profissionais, se constroem respostas para problemas sanitários concretos, se desenvolvem estudos, protocolos, práticas de cuidado, ações de extensão e iniciativas que fortalecem o sistema público de saúde.
Nos hospitais universitários, ambulatórios, clínicas-escola, laboratórios e demais estruturas ligadas às instituições federais, as/os TAEs da saúde exercem funções essenciais para o atendimento à população e para o funcionamento cotidiano desses serviços. Sua atuação integra assistência, gestão, organização do trabalho, apoio técnico especializado, produção de dados, rotinas laboratoriais, acompanhamento de processos e sustentação administrativa de atividades que têm impacto direto na qualidade da atenção em saúde e na formação acadêmica.
Por isso, reconhecer o trabalho dessa categoria é também reconhecer a relação profunda entre saúde pública, educação pública e produção científica. A universidade não é apenas um espaço de ensino. Ela é também lugar de pesquisa, inovação, formulação crítica e compromisso social. Em grande medida, é dentro dela que se produz conhecimento voltado às necessidades reais da população brasileira, especialmente em áreas estratégicas para o SUS.
A campanha da OPAS/OMS deste ano também enfatiza que a ciência precisa ser acessível, compreensível e capaz de orientar decisões públicas nas áreas de saúde, clima, alimentação e meio ambiente. Além disso, convoca governos e instituições a ampliar investimentos em ciência e a apoiar o papel das evidências na formulação de políticas. Nesse sentido, defender as universidades públicas e seus trabalhadores é defender a própria capacidade do país de produzir respostas soberanas para seus desafios sanitários.
As/Os TAEs da saúde fazem parte dessa construção de maneira concreta. São trabalhadores e trabalhadoras que viabilizam o funcionamento de setores fundamentais, contribuem para a organização dos serviços, asseguram continuidade institucional e participam, de forma direta ou indireta, da cadeia de produção do conhecimento e do cuidado. Seu trabalho está presente onde a saúde pública acontece: no acolhimento, no suporte técnico, na estruturação dos processos, no apoio às equipes, na manutenção dos serviços e na articulação entre ensino, pesquisa e atendimento à sociedade.
Ao mesmo tempo, é preciso registrar que essa importância nem sempre é acompanhada da devida valorização. A realidade enfrentada por muitos desses servidores ainda é marcada por sobrecarga de trabalho, insuficiência de pessoal, desvalorização profissional, perdas salariais acumuladas e condições inadequadas para o pleno exercício das atividades. Esse cenário afeta a vida funcional e a saúde dos trabalhadores, mas também compromete a qualidade dos serviços públicos oferecidos à população.
A defesa da saúde pública exige, portanto, mais do que homenagens em datas simbólicas. Exige investimento continuado, valorização das carreiras, recomposição de quadros, condições adequadas de trabalho, fortalecimento das instituições públicas e compromisso com políticas estruturadas a partir do interesse coletivo.
Também exige atenção aos desafios mais recentes. Em um contexto de ampliação do uso de tecnologias, sistemas digitais e ferramentas informacionais na área da saúde, torna-se ainda mais necessário garantir que a inovação esteja subordinada ao interesse público. A incorporação tecnológica precisa fortalecer o SUS, respeitar a proteção de dados, ampliar a capacidade do Estado e contribuir para a autonomia científica e institucional do país.
Neste 7 de abril, o Sint-IFESGO destaca que valorizar as/os TAEs da saúde é fortalecer uma rede pública que articula cuidado, formação profissional, pesquisa e compromisso social. É reconhecer o papel estratégico de servidores e servidoras que sustentam atividades essenciais para a população e para o desenvolvimento nacional.
Defender essa categoria é defender o SUS, a universidade pública e a ciência produzida com responsabilidade social.
Em um ano em que a comunidade internacional levanta a bandeira de que é preciso estar juntos pela ciência, reafirmamos que não há ciência comprometida com o povo sem universidade pública forte, sem serviço público valorizado e sem trabalhadores respeitados.
Valorizar as/os TAEs da saúde é fortalecer o SUS, a ciência e a vida.




