Proposta assinada por Wilder Morais e Vanderlan Cardoso não acaba com a escala 6×1 e abre caminho para contratos por hora, direitos proporcionais e enfraquecimento da negociação coletiva.
O debate sobre o fim da escala 6×1 chegou a uma fase decisiva no Senado Federal. A proposta aprovada pela Câmara dos Deputados reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, e prevê dois dias de descanso por semana. Para o Sint-IFESGO, essa pauta representa uma reivindicação histórica da classe trabalhadora: trabalhar menos, viver melhor e garantir tempo para descanso, saúde, estudo, convivência familiar, participação social e lazer.
Na contramão desse avanço, tramita no Senado a PEC 12/2026, apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) e assinada, entre outros parlamentares, pelos senadores goianos Wilder Morais (PL-GO) e Vanderlan Cardoso (PSD-GO). A proposta foi enviada à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania e aguarda designação de relator.
A PEC 12/2026 é vendida sob o discurso da “flexibilidade”, mas seu conteúdo revela uma ameaça direta à proteção trabalhista. O texto permite compensação de horários e redução de jornada por acordo individual ou “livre pactuação contratual direta” entre empregado e empregador, inclusive por hora trabalhada, com prevalência do contrato individual sobre instrumentos de negociação coletiva. Também prevê proporcionalidade no cálculo de direitos como férias, 13º salário, FGTS e outros benefícios legais conforme a carga horária efetivamente trabalhada.
Para o Sint-IFESGO, isso não é modernização: é precarização com nova embalagem. Em uma relação marcada pela desigualdade entre patrões e trabalhadores, a chamada “livre negociação individual” tende a deixar cada trabalhador isolado diante do poder econômico. Ao enfraquecer a negociação coletiva, a PEC ataca justamente o instrumento que permite à classe trabalhadora disputar melhores salários, jornadas justas e condições dignas de trabalho.
A proposta alternativa da oposição não acaba com a escala 6×1 nem reduz expressamente a jornada máxima. Na prática, desloca o centro do debate: em vez de garantir dois dias de descanso e redução da jornada sem redução salarial, abre espaço para remuneração e direitos proporcionais às horas trabalhadas.
O Sint-IFESGO defende o fim da escala 6×1 porque entende que a vida não pode ser reduzida ao trabalho. A jornada exaustiva compromete a saúde física e mental, limita a convivência familiar, dificulta a formação educacional, afasta trabalhadores da cultura, do lazer e da participação política. A luta por redução de jornada sem redução salarial é, portanto, uma luta por dignidade, qualidade de vida e valorização de quem produz a riqueza do país.
A rejeição popular à PEC 12/2026 já aparece na consulta pública do Senado. Em 8 de junho de 2026, às 16h23, a proposta registrava 113.531 votos contrários e apenas 8.652 favoráveis no portal e-Cidadania. Os números seguem em atualização permanente.
Diante desse cenário, o Sint-IFESGO convoca sua base, trabalhadoras e trabalhadores goianos, movimentos sociais, entidades sindicais e toda a sociedade a pressionarem os senadores de Goiás. Quem foi eleito para representar o povo goiano não pode votar contra o direito ao descanso, contra a negociação coletiva e contra a dignidade da classe trabalhadora.
Pressione agora
Vote NÃO à PEC 12/2026 na consulta pública do Senado:
Consulta Pública do e-Cidadania — PEC 12/2026
Participe da campanha pela aprovação do fim da escala 6×1 e pela redução da jornada, sem redução salarial:
Campanha Na Pressão — fim da escala 6×1
Contatos dos senadores goianos que assinam a PEC 12/2026:
Wilder Morais (PL-GO)
Telefone: (61) 3303-6440
E-mail: [[email protected]]
Vanderlan Cardoso (PSD-GO)
Telefones: (61) 3303-2092 / 2099
E-mail: [[email protected]]
O Sint-IFESGO reafirma sua posição: redução da jornada, sim; redução de direitos, não. O fim da escala 6×1 precisa vir acompanhado da manutenção dos salários, da valorização da negociação coletiva e da defesa intransigente da dignidade da classe trabalhadora.




